quinta-feira, 25 de março de 2010

Saudade!

Às vezes sinto como se só eu pudesse sentir...

Saudades


Sinto saudades de tudo que marcou a minha vida.
Quando vejo retratos, quando sinto cheiros,
quando escuto uma voz, quando me lembro do passado,
eu sinto saudades...
Sinto saudades de amigos que nunca mais vi,
de pessoas com quem não mais falei ou cruzei...
Sinto saudades da minha infância,
do meu primeiro amor, do meu segundo, do terceiro,
do penúltimo e daqueles que ainda vou ter, se Deus quiser...
Sinto saudades do presente,
que não aproveitei de todo,
lembrando do passado
e apostando no futuro...
Sinto saudades do futuro,
que se idealizado,
provavelmente não será do jeito que eu penso que vai ser...
Sinto saudades de quem me deixou e de quem eu deixei!
De quem disse que viria e nem apareceu;
de quem apareceu correndo,
sem me conhecer direito,
de quem nunca vou ter a oportunidade de conhecer.
Sinto saudades dos que se foram e de quem não me despedi direito!
Daqueles que não tiveram como me dizer adeus;
de gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre!
Sinto saudades de coisas que tive
e de outras que não tive mas quis muito ter!
Sinto saudades de coisas
que nem sei se existiram.
Sinto saudades de coisas sérias,
de coisas hilariantes,
de casos, de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia
e que me amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer!
Sinto saudades dos livros que li e que me fizeram viajar!
Sinto saudades dos discos que ouvi e que me fizeram sonhar,
Sinto saudades das coisas que vivi
e das que deixei passar,
sem curtir na totalidade.
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que...
não sei onde...
para resgatar alguma coisa que nem sei o que é e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
Em japonês, em russo, em italiano, em inglês...
mas que minha saudade, por eu ter nascido no Brasil,
só fala português, embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria,
espontaneamente quando estamos desesperados...
para contar dinheiro... fazer amor...
declarar sentimentos fortes...
seja lá em que lugar do mundo estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you"
ou seja lá como possamos traduzir saudade em outra língua,
nunca terá a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima corretamente a imensa falta
que sentimos de coisasou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra
para usar todas as vezes
em que sinto este aperto no peito,
meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor
do que um sinal vital
quando se quer falar de vida
e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca
de que somos sensíveis!
De que amamos muito
o que tivemos
e lamentamos as coisas boas
que perdemos ao longo da nossa existência...

Esse texto bem que poderia ser meu, mas, por incrível que pareça, não é... É da minha impressionante guru Clarice Lispector. Às vezes tenho a nítida, egoísta e - por que não dizer - egocentrista sensação de que tudo o que ela escreveu se dirige mais do que diretamente a mim, e que esses textos chegam sempre no momento certo da minha vida.
Eu poderia me prolongar mais, mas acho que o texto passa perfeitamente o que sinto e quero transmitir.

Para finalizar, um pequeno trecho de "Pedaço de Mim" de Chico Buarque e o link do vídeo correspondente a esta MARAVILHOSA composição:

"A saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi"

http://www.youtube.com/watch?v=JIFWpMzwUnc&feature=player_embedded

(não deixem de ver)

sexta-feira, 5 de março de 2010

A consciência do fim e seus benefícios.


Tudo termina. Tudo. Parece óbvio, mas nós insistimos, teimamos, relutamos para aceitar o fim. Eu sou - ou fui - uma dessas pessoas, bobas ou esperançosas, que preferem acreditar que "comigo será diferente". Hoje estou mais conformada. Há um fim para tudo. E, aceitando essa inevitável realidade, tudo se torna menos, bem menos, bem menos, (...), nada doloroso. É aproveitar os momentos que se tem. Acredito agora, com o coração tranquilo, que tudo tem seu próprio tempo, as coisas duram o que devem durar. Não que seja fácil entender isso. E não que eu entenda facilmente... Mas busco fazer apenas o que me cabe: aceitar. A consciência (e quis dizer ao longo de todo esse texto a consciência PRÉVIA do fim) nos proporciona a consciência do poder que temos AGORA!

terça-feira, 2 de março de 2010

"Senta-te ao sol. Abdica. E sê rei de si próprio."


Existem alguns livros "adivinhatórios" - não sei se possuem algum outro nome classificatório - que devem ser manuseados abrindo-se em uma página aleatória que possuirá palavras relativas à sorte daquele que a lê. Num desses livros encontrei há algum tempo dizeres oportunos para o relativo momento, e os anotei em meu caderno:

"Viver de Saudade Não é Amar

É a hibernação da alma, o congelamento do espírito, a morte em vida. Amar é saber repetir as boas lembranças do passado, reviver seus momentos mais belos, ter a certeza de que a esperança só terminará com a vida."


Existem outros livros, no entanto, que, embora não sejam previamente destinados
a este fim premonitório, terminam por cumprir perfeitamente essa tarefa. Não sou
uma leitora de Fernando Pessoa (ainda), embora o admire. Porém,
foi folheando um de seus livros que encontrei - também já há algum tempo - um
poema que ainda hoje se enquadra com meus sentimentos. Segue:

"Não tenhas nada nas mãos
Nem uma memória na alma

Que quando te puserem
Nas mãos o óbolo último,

Ao abrirem-te as mãos
Nada te cairá.

Que trono te querem dar
Que Átropos não tire?

Que louros que não fanem
Nos arbítrios de Minos?

Que horas que não torrem
Da estatura da sombra?

Que serás quando fores
Na noite e ao fim da estrada?

Colhe as flores mais larga-as,
Das mãos mal as olhaste.

Senta-te ao sol. Abdica
E sê rei de si próprio."

Bem, estes pequenos textos fizeram sentido em algum momento, e continuam fazendo no atual contexto de minha vida. Espero que façam para vocês também!

segunda-feira, 1 de março de 2010

Alguns Pensamentos Muito Idiotas


Estive pensando no assunto 'pensamentos idiotas'. Bem, aqueles sobre os quais divaguei são, como dito no título, realmente MUITO idiotas. É verdade, muito idiotas, mas que sinceramente podem ser considerados inerentes à espécie humana. Falo dos medos e preocupações, sendo eles quais forem. Chateiam demais, e muitas vezes são completamente despropositados e/ou desnecessários. Mas o fato é que fazem parte, nos previnem, nos ensinam e até ajudam a crescer. Porém, fica a dica: acho que nós, e falo de todos nós, não deviamos nos importar tanto. Não se pressionar tanto, não esperar tanto da vida (ou esperar, mas aprender a aceitá-la sabendo que nem tudo será como se espera - ainda sabendo-se livre) vale a pena.
Muitos dizem que a felicidade está em nossas mãos, e nas de mais ninguém, o que é uma grande verdade. Acho apenas uma pena que nem todos o sintam. "Pé quente e cabeça fria!!!" Vamos praticar o desapego e aproveitar a vida!!!

*confira este post também em www.pensamentoidiota.blogspot.com

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Pecados por encomenda

O assunto desta postagem surgiu durante uma conversa entre amigas, que relembravam coisas engraçadas de sua infância. Discutir os temores, os pontos de vista completamente distorcidos de criança rendiam boas risadas. Uma entre as muitas memórias no entanto me surpreendeu por remeter a uma situação que, embora tão particular, era comum a todas nós: "fabricar" pecados para ter algo a confessar ao padre na primeira comunhão. Lembro-me de que quando fiquei sabendo que teria de me confessar, tão novinha, perguntei para minha mãe o que poderia dizer ao padre, já que não me lembrava de nada - ou seja, nenhum pecado - que me servisse como confissão. Então ela, rindo, respondeu: diga a ele que você é "respondona" com a sua mãe! E foi o que eu fiz. Então o padre me absolveu. Acho que hoje eu gastaria um pouquinho mais de tempo delatando-me...

sábado, 22 de agosto de 2009

Possível mudança de layout e o Efeito Matrioska

Antes de iniciar este blog 'quebrei a cabeça' tentando imaginar um layout interessante e agradável. E, depois de tanto pensar, deu nisso que vocês podem ver. Não tive nenhuma grande idéia e a aparência ficou não mais que simples e despretensiosa.
Outro dia, repensando o significado de "debulha", lembrei-me de uma imagem imediatamente associável: matrioskas.

"Uma matrioska é um brinquedo tradicional da Rússia, constituído por uma série de bonecas que são colocadas uma dentro das outra, da maior (exterior) até a menor (a única que não é oca)."
-trecho retirado (e um tanto alterado) de wikipédia-


Matrioskas são praticamente alegorias do que propus deste o primeiro post:
"debulhar-me, ou seja, retirar minha própria casca."
Mas elas não se encontrarão no cabeçalho que, decidi, por já ter me aconstumado com o atual e acreditar que, até então, tem dado certo,e, portanto, continuará o mesmo.

Continuemos então a discorrer sobre a associação entre a imagem das "matrioskas" e o conceito de "debulha"...

Com certeza todas as pessoas possuem vários níveis de cascas, vários eu's dentro de si, e demonstram, em uma ou outra situação, quantas e quais lhes covêm. Isto é o que chamo no título de Efeito Matrioska.
Há pessoas, no entanto, - e, observo, não poucas - que (assim como as graciosas bonecas) - infelizmente - quanto mais se mostram (ou, quanto mais se debulham), menores parecem. E sua essência, aquela única parte maciça, é ínfima. Isso é ruim.
Há outras ainda - e, mais uma vez, em grande número - que parecem nem mesmo possuir a 'parte maciça'. Parecem carregar apenas a casca, ser ocas. Isso é ainda pior.
Só o que posso dizer é que gostaria de conhecer mais pessoas que dessem mais valor à própria essência, ou seja, ao que são, e que fossem mais sinceras e tivessem personalidades mais sólidas.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Num Rosto

Este é um dos poemas mais bonitinhos que escrevi. Tinha uns 15 anos ou menos.



Num Rosto

Às amigas tenho ouvidos.
- plural
Às belas tenho olhos.
- plural
Às cheirosas tenho narinas.
- plural
E
Às amadas
(Correção:
À amada
- singular )
Tenho a boca
- singular
e muitos beijos.
- singulares.